
A DIFERENÇA ENTRE TECIDOS SUSTENTÁVEIS E NÃO SUSTENTÁVEIS
Também conhecida como eco fashion, a moda sustentável surgiu da necessidade da sociedade de repensar a sua conduta do ponto de vista ecológico.
A Eco Fashion ou Moda Sustentável baseia-se em métodos de produção de vestuário que são menos prejudiciais ao meio ambiente e é cada vez mais popular no mundo da moda, tanto por quem a cria como por quem a consome.
Como resultado deste fenómeno, as pessoas também começaram a pensar em tornar a matéria-prima cada vez mais sustentável e amiga do ambiente, e foi assim que surgiram os tecidos sustentáveis.
É sabido que os tecidos sustentáveis são aqueles que geram menos impacto no meio ambiente, desde o processo de fabricação até o descarte e reutilização dos materiais.
Também conhecidos como tecidos ecológicos, os tecidos sustentáveis são feitos de materiais como algodão orgânico, cânhamo, linho, modal, seda de soja e seda de laranja.
Se ainda tem dúvidas se um tecido é sustentável ou não, aconselhamos que considere as seguintes questões:
- Afeta o meio ambiente intensamente quando produzido?
- Usa agentes químicos na produção de tecidos?
- E o descarte final, é biodegradável ou reciclável?
Defendemos que estar a par das informações sobre o processo de produção e da matéria-prima, e possíveis danos posteriores e finais, é a melhor forma de saber se o tecido é realmente sustentável.
No entanto, esteja ciente de que nem todos os tecidos sustentáveis são necessariamente biodegradáveis.
Isso significa que os tecidos sustentáveis podem vir de materiais orgânicos ou reutilizáveis, e, portanto, também ser biodegradáveis.
Os tecidos biodegradáveis podem ser feitos de matéria-prima natural, fibras artificiais de base natural ou fibra sintética quimicamente alterada para se decompor mais rapidamente.
Como a própria terminologia indica, a sua principal característica é o seu tempo de degradação, que pode atingir algumas semanas. Isso acontece quando a matéria-prima em questão é deixada num aterro sanitário ou composta e exposta a características locais, sofrendo a ação de microrganismos lá presentes.
Um exemplo desse tipo de material é a poliamida biodegradável. Essa matéria-prima foi desenvolvida para se decompor mais rapidamente após ser descartada, e uma fibra tradicional, por exemplo, levaria de dez a cem anos para conseguir fazer o mesmo processo.
Aqui estão alguns exemplos de tecidos sustentáveis:
Algodão orgânico: Uma alternativa ao algodão convencional. O algodão orgânico tem um uso reduzido de produtos químicos, além de outros recursos naturais, representando uma opção mais sustentável para grandes marcas. É um tecido frequentemente usado para fazer jeans, camisas e roupa interior.
Cânhamo: Uma das fibras vegetais mais sustentáveis do mundo e é produzida a partir da planta Cannabis sativa, por isso não precisa de produtos químicos como herbicidas e pesticidas para crescer. É um tecido forte com notável durabilidade.
Fibra de banana: Material altamente resistente que pode ser usado em tecidos sustentáveis semelhantes ao algodão e à seda, por exemplo, em quimonos.
Fibra de laranja: Produzida a partir da celulose do bagaço de laranja, a fibra de laranja tem um acabamento semelhante à seda. É leve, suave e pode ser brilhante ou opaca.
Fibra de soja: Fabricada a partir de resíduos do processamento da indústria da soja, a seda de soja é macia, tem boa absorção de pigmentos, uma ação antibacteriana e é resistente aos raios UV.
Lenpur: Esta matéria-prima é feita de pinho branco e tem uma grande capacidade de absorção e libertação de humidade. Pode ser usada em têxteis para o lar, jeans, meias e diversas roupas.
Linho: É um material resistente e versátil, que requer baixa irrigação para ser cultivado e nenhum pesticida na sua plantação. É através do seu caule e raiz que são extraídas as fibras a serem utilizadas na composição de tecidos para acessórios, colchas, roupas e roupa de cama, artigos de mesa e banho.
Liocel: É feito a partir da celulose presente na polpa da madeira e os solventes utilizados são quase totalmente reciclados após o processo. Pode ser usado para itens como calças e camisas.
Modal: Tem uma produção muito semelhante ao liocel. É uma fibra feita a partir da casca da madeira, livre de solventes nocivos. Este material tem um toque macio e é ideal para peças de lingerie.
Piñatex: Feito com fibra de folhas de ananás, o material piñatex é um couro que pode ser usado em acessórios, roupas e sapatos.
Poliamida biodegradável: É um tipo de material que é facilmente degradável, pois pode decompor-se completamente em apenas três anos. Este tipo de matéria-prima pode ser usado em biquínis, calçado e outros tipos de vestuário.
Qmilk: É uma fibra derivada do leite, toda natural e requer baixo consumo de água e sem adição de produtos químicos. Este tecido tem uma ação antibacteriana, um toque muito macio e pode ser usado tanto em cortinas quanto em roupas desportivas.
Por outro lado, também é importante lembrar quais são os tecidos menos sustentáveis que fazem parte do nosso universo de vestuário. Exemplos disso são o algodão, que apesar de ser uma fibra natural e biodegradável, necessita de uma grande quantidade de água para ser produzido, materiais sintéticos como poliéster, nylon ou acrílico, por não serem biodegradáveis e por serem produzidos com petróleo, e materiais de origem animal como lã, couro e pele.
A importância do conhecimento sobre tecidos sustentáveis e não sustentáveis torna-se relevante porque, quando se trata de poluição, a indústria da moda é uma das maiores contribuintes do mundo. E, os materiais que compõem os tecidos utilizados impactam e contribuem diretamente para o aumento do consumo de água, poluição por microplásticos, emissões de gases de efeito estufa, degradação do solo, destruição florestal e, finalmente, resíduos presentes em aterros sanitários.
Dada a ameaça das alterações climáticas, o aquecimento global, a contínua perda de biodiversidade e os danos à saúde humana causados pela atividade industrial, o consumo sustentável de vestuário é uma tendência crescente em todo o mundo.
Assim, concluímos que, para além da criação de movimentos como o Slow Fashion, e a expansão da produção local, é necessário também ter em conta os materiais utilizados no fabrico das roupas, bem como as consequências ambientais e sociais da sua própria produção.