
O ABISMO ENTRE A SUSTENTABILIDADE E A FAST-FASHION
Até ao século XVIII, fazer roupa era um processo demorado e complexo. Isto significa que para se fazer uma peça de roupa, era necessário ter acesso a tecidos e materiais e saber manipulá-los, e isso custava tempo e dinheiro.
No entanto, a partir da Revolução Industrial, em 1790, o processo de fazer roupa tornou-se cada vez mais simples e automático. A invenção das máquinas de costura, por exemplo, foi fundamental para acelerar o fabrico de peças de vestuário e possibilitou que a roupa pudesse ser produzida em maior velocidade e quantidade.
O conceito de Fast-Fashion surgiu anos mais tarde, na década de 1990, com lojas como a Zara e a H&M.
A Fast-Fashion trouxe alguns benefícios para o mercado, como uma maior rentabilidade, a criação de empregos e a democratização dos produtos de moda, através do seu custo acessível. No entanto, trouxe também relevantes impactos sociais e ambientais e gerou uma grande alteração nos hábitos de consumo.
Sabe-se que a cultura de Fast Fashion incentivou a compra impulsiva e descartável de peças de vestuário e a produção de roupa em países de terceiro mundo por custos de produção muito baixos, o que deu origem a salários muito baixos e a regimes de trabalho abusivos.
A nível ambiental, a roupa Fast-Fashion é conhecida por contribuir para a contaminação das cadeias de abastecimento, uma vez que muitos dos materiais utilizados não podem ser reutilizados nem são biodegradáveis. E, de acordo com a revista Forbes, a indústria de vestuário é a segunda mais poluente do mundo, sendo responsável por cerca de 10% de todo o carbono mundial.
Assim, é possível perceber porque é que a Fast-fashion e a Sustentabilidade não podem coexistir no mesmo espaço, nem na mesma peça de roupa. No entanto, já existem vários movimentos e ações que já estão a ser postas em prática para evitar esta tendência. Exemplos disso são:
- As marcas de Fast-Fashion produzem atualmente linhas diferenciadas mais “sustentáveis”, ainda que haja falta de informação para o consumidor final sobre onde, como e quem produziu a peça;
- Criação do Movimento Fashion Revolution: este movimento surgiu em 2013, através de um conselho global de líderes da indústria de moda sustentável e tem como objetivo sensibilizar e educar o consumidor final sobre os preocupantes impactos ambientais e sociais do contexto atual da moda, através de palestras, workshops, exibição de filmes, realizados em todo o mundo e, geralmente, de livre acesso.
- Criação do movimento Slow Fashion, que prioriza o uso de materiais recicláveis e tecidos orgânicos na produção de peças de vestuário, bem como a transparência na forma como são feitos. Este movimento pretende tornar a moda um processo cíclico, e não finito, como é conhecida hoje.